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Mil Dias que Valem Para Uma Vida Inteira – Mai/16

A programação do metabolismo de cada ser vivo é realizada durante as fases mais precoces da vida, daí a importancia dos primeiros mil dias… E de onde vem esse número? Se contarmos os 9 meses de gestação (270 dias) e somarmos aos 2 primeiros anos de vida da criança (365+365=730), chegamos ao número mil. E por que estes mil dias são tão importantes? É durante esse período que cada célula do corpo em formação vai se adaptar às condições ambientais às quais ela é submetida, visando a melhor adaptação do indivíduo ao mundo onde ele vai viver futuramente.

Neste caso, um feto gerado num ambiente onde há restrição de nutrientes, desenvolverá um perfil armazenador para superar as dificuldades que virão a seguir. O que nos leva a entender que ainda que ele no futuro não coma muito, este perfil poupador o levará a uma maior predisposição ao sobrepeso, obesidade e todas as suas consequencias.

Mas não é só isso, a falta de determinados nutrientes na vida precoce pode acarretar prejuízos nas mais diversas funções do organismo. Por exemplo, filhos de mães anemicas ou crianças anemicas tem maior propensão a déficits cognitivos e intelectuais, pois o ferro é matéria prima no sistema nervoso central. Há inclusive estudos que relacionam a anemia à maior prevalencia de autismo. Cada mineral vai sendo utilizado de forma a contribuir para o máximo potencial genético do indivíduo.

Os indivíduos que nascem de parto normal e mais ainda se amamentados precocemente ao seio materno e de forma exclusiva durante os primeiros seis meses de vida terão um sistema imunológico muito mais eficiente do que as crianças nascidas de cesárea e/ou alimentadas artificialmente por meio de fórmulas infantis.
O contato precoce com os microrganismos do corpo da mãe faz com que desde o nascimento a criança incorpore as “bactérias do bem” à sua flora intestinal que servirá como barreira à invasão de “bactérias do mal” evitando infecções no futuro. A criança que nasce de parto normal também tem menor risco de patologias pulmonares precoces comuns, que são muito prevalentes entre os nascidos de partos cirúrgicos (1 em cada 10 partos) devido à imaturidade pulmonar.
O aleitamento materno além de oferecer um aporte nutricional adequado às necessidades da criança nos primeiros meses da sua vida e de não oferecer risco de infecção, ainda beneficia o estabelecimento do vínculo entre a mãe e o bebê e melhora o desenvolvimento neuropsíquico, imunoendocrinológico e motor da criança. Já o colostro não só alimenta o recém nascido, como ainda confere aos pequenos uma dose extra de anticorpos produzidos pelo sistema imune da mãe, através da IgA secretora, que protegerá seus filhos de patógenos contra os quais eles ainda não são capazes de se defender sozinhos, tanto pela imaturidade de seu sistema imune, como pelo fato de nunca terem tido contato prévio com estes germes.

Sendo assim, precisamos pensar desde muito cedo a que tipo de ambiente submeteremos as nossas crianças. Antes mesmo da gravidez nossas atitudes já podem estar beneficiando ou comprometendo a saúde de nossos filhos no futuro. Sejamos saudáveis e equilibrados, não apenas por nós, mas por um destino melhor para as nossas crianças.

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