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Mal de Parkinson Pode Começar no Intestino, Não no Cérebro – Dez/16

A desconfiança de que os médicos estavam olhando para o lugar errado começou quando uma pesquisa mostrou que 10 anos antes de apresentar sintomas, grande parte dos pacientes com Parkinson tinha um problema bem diferente: alteração do hábito intestinal.

Um novo estudo feito no Instituto Tecnológico da Califórnia (CalTech) mostrou que as diferentes bactérias que vivem no intestino humano podem ter relação direta com o desenvolvimento do Parkinson.
Os pesquisadores começaram estudando as fibras tóxicas de uma proteína chamada alfa sinucleína, que se acumulam nos neuronios e causam sintomas de Parkinson em questão de semanas.
O experimento usou uma série de ratos com DNA identico, geneticamente modificados para ter uma tendencia maior a produzir essas fibras – não só no cérebro, mas também no intestino.
Os ratos foram divididos em dois grupos, um deles criado em jaulas normais e outro em ambientes esterilizados, sem germes. Os dois grupos se desenvolveram, com a mesma tendencia genética, mas o quadro de sintomas motores do primeiro grupo piorou muito mais rápido. Já os ratos do ambiente esterilizado tremiam menos e tinham menos fibras tóxicas no cérebro.
Na segunda etapa do estudo, os cientistas separaram os ratos das jaulas especiais e injetaram a microbiota de seres humanos com Parkinson. Em algumas semanas, os problemas motores dos roedores foram ficando piores.
Em outros ratos do ambiente estéril, a microbiota injetada foi de humanos saudáveis – e a doença não avançou.
Os cientistas ainda não são capazes de afirmar que é exatamente isso que acontece com o corpo humano, mas eles estão confiantes que as bactérias do intestino regulam de alguma forma a ação do mal de Parkinson.
Uma das teorias é que certos tipos de microbiota levam o cérebro a exagerar na produção de alfa sinucleína. O próximo passo dos pesquisadores vai ser comparar as bactérias intestinais de uma série de pacientes com Parkinson, para tentar encontrar quais patógenos eles têm em comum, que podem estar relacionados à progressão da doença.

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